Esse foi o cenário do CHORINHO que gerou aquele custo marginal e hiato do produto que mostrei semana passada. Entre as hipóteses, forcei o BCB a segurar os juros constantes em 10% durante 2012 (e deixei livre em 2013, seguindo a Regra de Taylor do modelo). Depois da Ata esse cenário ficou velho, mas ainda serve para mostrar como a inflação fica bem acima do consenso. Eu volto alguma hora com operação de mercado para utilizar essa diferença.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Custo Marginal (Chato)
Um blog light, já que é sexta-feira. A pergunta é: O que é
esse Custo Marginal, que serve como medida de Hiato do Produto?
Num modelo DSGE (dynamic
stochastic general equilibrium) há uma economia artificial, com famílias,
firmas, governo, etc. O problema de maximização de lucro das empresas é
dividido em duas partes. A primeira envolve uma escolha de quanto capital e mão-de-obra
alocar (obtenção da função de custo). A segunda uma escolha de preço, dada a
curva de demanda pelo produto, e alguma restrição que coloca rigidez na marra (aquela
maluquice do Calvo).
Nesse mundo, o custo marginal é o conceito relevante para
indicar pressão inflacionária. Se forem feitas algumas hipóteses, tais como
função de produção Cobb-Douglas, o custo marginal se transforma em custo
unitário do trabalho (unit labor cost).
Mais algumas hipóteses heroicas, tal como a que a economia tem de ser fechada e
sem capital (sem comércio exterior e sem investimento), e o custo unitário do
trabalho se transforma em “hiato do produto”, definido como a diferença do PIB
observado e o PIB que ocorreria se não houvesse rigidez nos preços.
Dada essa visão geral, eu gostaria de ter alguma medida direta
de custo unitário do trabalho em vez do PIB filtrado. Já tentei isso com dados
da Indústria, e ficou uma porcaria mesmo na época em que a indústria era
relevante para sentir a economia. (Minha sensação é que nos últimos anos ficou
muito difícil olhar para a economia sem incluir o varejo).
Então, o que eu faço é utilizar somente dados agregados
(PIB, investimento, consumo, etc., juros, inflação e emprego) para estimar os
parâmetros do DSGE, e obter o custo marginal. Agora fazemos isso com técnicas
bayesianas, apertando o botão do dynare.
Se você não está acostumado com isso, mas conhece VARs (vector autoregressions) estruturais, é parecido. Uma vez que os
problemas das famílias, firmas, governo, etc. são resolvidos (o que pode necessitar
iteração de Bellman), o modelo DSGE fica igual um VAR, em que os parâmetros
estão restritos por condições teóricas.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Outro Cavalo-de-Pau
Li agora a ata. Não está fácil defender o BCB. No Relatório
de Inflação eles chamam atenção para o fato de que a inflação de 2013 começa a
subir caso os juros caiam até 9,5% (cenário de mercado). Agora repetem que no
cenário de mercado a inflação está acima da meta em 2012 e 2013, mas falam que
os juros vão para um dígito com alta probabilidade.
Os boatos de que o diretor Carlos Hamilton ficou chateado
com a redução dos juros em outubro, que ocorreu devido à ingerência política, vão
ganhando credibilidade. Talvez haja um acordo que liga juros com meta de superávit
primário. Sei lá.
Minha frase favorita foi quando eles estavam argumentando
sobre a redução dos juros neutros: “...apoiam essa visão, entre outros fatores, a redução dos
prêmios de risco, consequência direta do cumprimento da meta de inflação pelo
oitavo ano consecutivo...”
Dois Testículos
Hat tip Genta, esse do De Grauwe:
http://www.ceps.eu/book/mispricing-sovereign-risk-and-multiple-equilibria-eurozone
O
argumento, é que como dívida sobre PIB não explica estatisticamente o
CDS então há múltiplos equilíbrios. Lamentável. Quando ele submeter o
artigo para a Estudos Econômicos vou dar pau antes mesmo de mandar para um parecerista.
Para compensar, este abaixo do Simon
Johnson:
Discordo, mas gostei porque me forçou a fazer várias reflexões e levantou novas dúvidas. Acho que vou voltar a ler o baseline scenario, apesar do
James Kwak.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Caviar do Juquinha
Uma grande oportunidade para conhecer meus comparsas, mas só poderei ir se conseguir a grana para comprar a passagem para BH, uns $2500, o que, a partir desse instante, farei utilizando esse blog.
É isso, estou aceitando doações para que possa comprar
Se você não conseguir a grana, vai ficar chateado e parar de blogar? Claro que não.
Se você juntar menos do que os $2500 devolverá o dinheiro? Claro que não.
Se por um milagre você conseguir juntar a grana, posso ficar tranquilo que você irá utilizá-la para passagem? Claro que não.
Sinceramente, no meu lugar você faria uma doação? Claro que não.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Trilema de um
Por culpa do Guizzo fui ler o artigo do Pisani-Ferry:
Se entendi, o argumento é que há três condições que não
podem coexistir (Presumivelmente, por que se elas coexistirem algo de ruim irá
passar. Mas, no caso da União Europeia, todas estão presentes):
i)
Não há corresponsabilidade da divida publica,
i.e., cada pais é responsável por sua própria divida.
ii)
Não é permitido financiamento monetario, i.e, o
Banco Central comprar titulos soberanos (monetizando a divida)
iii)
Interdependência entre soberanos e bancos, i.e.,
os soberanos tem que socorrer seus bancos, caso eles quebrem e os bancos
seguraram as divida de seus soberanos em seus balanços.
Eu penso na crise do subprime. Em minha opinião os EUA têm
somente a 3a condição presente. Afinal, ele é “corresponsável” pela sua própria
divida e o Fed pode e comprar títulos do Tesouro (no mercado secundário). No
entanto, devido ao soberano ter de socorrer instituições "too big to
fail" - que é uma versão melhorada da terceira condição -, a crise acabou
acontecendo.
Trilema de um é pior que dupla de dois. Mas recomendo a
leitura.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
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